Amassa essa massa, amassa!

O primeiro pão que eu fiz foi um pão integral, num curso de culinária para crianças. Minha mãe me matriculava nesses cursos para ver se eu aprendia a acender o fogão com fósforo - coisa que nunca aconteceu, eu cozinho mas morro de medo de me queimar. Em todo caso, lá fui eu, do alto dos meus 9 anos, para um curso de culinária infanto-juvenil da Bruxinha do Lar. Sabe aquela criança muito exibida? Era eu, nesse dia.

Lembro - e tenho - até hoje a apostila do curso. O cardápio: bolo formigueiro, pão integral, quibe sem carne. Para uma tarde até que era bastante coisa. E a gente ajudava a profe: cortava os tomates, lavava a salsinha, escorria o trigo de quibe, quebrava os ovos. Nesse curso eu aprendi muita coisa: a não colocar a cara no forno aceso para não passar mal com o calor, a não tirar forma quente com pano molhado na mão, a quebrar os ovos em uma tigela separada para evitar pegar um podre. Não aprendi a acender fósforo com fogão, mas isso é caso pra terapia…

Cheguei em casa naquele sábado e falei para a minha mãe: “vou fazer pão integral.” Meu pão integral virou um tijolo e eu pensei que nunca mais faria pão. A padaria era do lado de casa também, muito empenho fazer pão.

E passaram 18 anos. (Cortinas, musiquinha do mágico de oz, papel picado caindo…)

Fuçando no Trembom, encontrei essa receita de brioches, da Patrícia Scarpin. Não sei dizer ao certo o motivo, mas me animei a fazê-lo. Talvez tenha sido a sugestão de recheá-los com goiabada. Pensei, pensei, pensei e me atrevi a fazê-los. Isso levou umas duas semanas: fazer pão pela primeira vez requer coragem.

Pois bem, fiz os brioches. Ficaram deliciosos, fofinhos, cresceram como eu não havia imaginado. Não consegui dar forma, mas ficou legal mesmo assim. Foi quando eu percebi uma coisa, que conto agora para vocês: Amassar, sovar, abrir, dar forma a uma massa pode ser libertador. Me senti uma nonna da colônia, fazendo pão para a família toda. Uma sensação de poder, de ser a responsável pela alimentação da tribo. (Ixi, calma Carla, calma…) E ali eu percebi que ia continuar fazendo pão por muito tempo.

E assim tem sido, tenho feito o pão integral (aquele do curso de culinária, lembra?), pães doces, pães recheados. Hoje, enquanto escrevo esse post, a massa dos pãezinhos brioches com doce de leite da Patrícia Scarpin está descansando na geladeira. E daqui a pouco vou lá, recheá-los, dar forma. E estimular um pouco a nonna que mora dentro de mim.

(Publicado originalmente em 06 de junho de 2007. Os pãezinhos brioches com doce de leite ficaram maravilhosos e entraram para a lista das receitas favoritas logo na primeira fornada. Acho que vou fazer pão no próximo feriado…)

6 Responses to “Amassa essa massa, amassa!”

  1. Marília Says:

    Hmmmmm…
    Pão eu nunca me animei de fazer…
    Mas me senti A nonna quando fiz spatzle, macarrão tipicamente alemão. Me senti nonna pq fiz a massa, nada de macarrão pronto. E ficou muito muito bom!

  2. Paulo R Diesel Says:

    Volta e meia também fazemos um pão e não é só para desestressar
    é para comer pão mais saudável pois os da padaria estão cada vez mais químicos.
    Abraço

  3. Lello Lopes Says:

    Hummm, pãozinho.
    E fico imaginando você de nonna italiana. Quando eu era criança, eu também aprendi a fazer pão. De vez em quando eu e minha irmã fazíamos. E comer o pão quentinho, com a manteiga derretendo, é uma delícia….
    Bjss

  4. Luciana Says:

    Queeeeeeeeem queeeeeeeeeer pãaaaaaaaao? ;)

  5. Patricia Scarpin Says:

    Que notícia boa!!

    São realmente duas massas com as quais é uma delícia mexer. E qualquer coisa com doce de leite tem um lugar especial no meu coração. :)

  6. Patrícia Carvoeiro Says:

    Ai, que vc aqui no Deusa Doméstica e Lu Mastrorosa serão, mais no que nunca, muito úteis pra mim! Adorei estas receitas que vc linkou.

    Ah, fazer massa deve ser bem libertador mesmo.

    E, Carlinha, só pra encher o saco:

    “Não aprendi a acender fósforo com fogão, mas isso é caso pra terapia…”

    Ufa, ainda bem que você não aprendeu isso, pq é coisa de gente paranormal! Hahaha!

    ;)

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