O meu mini-jardim
Passei minha infância em uma casa grande, com quintal e cachorro. No quintal tinha pé de de cereja-do-rio-grande, ameixinha, araçá e jabuticaba. Sem falar na caixa de abelha jataí, no galinheiro de galinha garnizé (que foi desativado antes dos meus cinco anos e primeiro virou viveiro de periquito australiano, mas acabou estufa para flores), no canaril, onde moravam alguns canários frisados parisienses e nos meus cachorros. E eu nem comecei a falar do orquidário, dos agapornis e calopsitas, do pixoxó e do pintassilgo. Era um quintalzão, com balanço e casa de bonecas. E horta.
Meus pais sempre cultivaram a horta do quintal. Pelo menos uns temperinhos, almeirão e couve. Às vezes apareciam por lá uns pés de sálvia, outros de malva, uma touceira de alecrim (aquele dourado, que nasceu no campo, sem ser semeado). A gente também plantava alface, cenoura, espinafre, essas coisas boas de comer na hora em que são colhidas.
Passa o filme. Eu cresço. Meus pais mudam para a fazenda e eu venho morar no apartamento.
Quando eu cheguei aqui, a floreira que fica na minha janela tinha umas florezinhas. Mas, coitadas, morreram secas. A combinação do vento de Cascavel com o vento da minha cabeça, que me fazia esquecer de regar as plantas todos os dias, foi letal. Até que meu pai, médico de plantas, resolveu tirar as plantas daqui e levar lá para a fazenda, para ficar no hospital de plantas da minha mãe. Nem preciso falar que, plantas espertas que são, elas nunca mais quiseram voltar e eu fiquei “sem nenhum verdinho”, como diz minha mãe.
Às vezes, eu empresto uma orquídea lá da minha mãe e trago para cá, para fazer companhia e enfeitar a casa. Mas só enquanto estão floridas: apartamento é um ambiente hostil para plantas, sabe? Muito melhor ficar lá, na companhia de muito verde. (Muitas vezes eu também preferiria ficar lá.)
Mas a falta de verde cansa. Quantas vezes eu estava com um molho de tomates lindo, pedindo umas folhinhas de manjericão e me obriguei a usar manjericão seco. É bom, mas não é a mesma coisa. Ou então aquela batata salsa molinha, pedindo uma salsinha. Não vou nem falar do alecrim para o arroz, da sálvia no frango. Ou daquele chá de malva que certamente daria um jeito na minha garganta…
Foi aí que eu resolvi: num lampejo de vontade eu fui até a floricultura comprar mudinhas. Para minha surpresa, uma muda lindona de manjeiricão custa menos que um macinho judiado no supermercado. Comprei manjericão, poejo, hortelã e salsinha crespa. Ainda falta alecrim, cebolinha, orégano e manjerona. E sálvia. E malva….
Pena que meus pés de almeirão e de couve vão ficar na vontade, bem como o meu pézinho de limão. Mas já que eles não vem, eu fico com minhas jardineirinhas. Minhas ervinhas ainda são bebês, mas já me dão muita alegria.
Quer fazer você também uma jardineira de ervas?
Você vai precisar de:
- 1 jardineira (ou vaso grande) com furos no fundo para drenagem
- Pedaços de carvão ou seixos rolados grandes
- Terra
- Húmus
- Mudas das suas ervas favoritas (você também pode plantar de sementes, mas demora mais)
Faça assim:
- No fundo da jardineira, coloque os pedaços de carvão ou os seixos, para facilitar a drenagem da água;
- Sobre o carvão, coloque a seguinte mistura: uma parte de húmus, duas partes de terra.
- Faça covinhas na terra (com uma pazinha de jardinagem, ou uma colher grande e uma faca de ponta) e transfira as mudas para essas covinhas, sempre preservando os torrões de terra das raízes.
- Cubra os torrões com a mistura de terra, afofando bem. Regue, mas não enxarque a terra.
Água e sol. Se você escolheu mudas saudáveis e usou um substrato (terra + húmus) bom, água e sol na medida vão garantir o sucesso do seu mini-jardim. Cada planta tem sua necessidade de sol, mas uma regrinha é básica: se ela começar a ficar muito amarelada, mais clara do que é normalmente, é sinal de sol demais (quanto mais sol, menos clorofila, lembra da aula de biologia?); se começar a escurecer, é sinal de sol de menos (quanto menos sol, mais clorofila). Sobre a água, uma coisa eu aprendi pequenininha, com um senhor de Joinville que vendia orquídeas ao meu pai: as plantas não gostam de passar sede, mas também não gostam de ter os pézinhos molhados. Não deixe a terra seca, mas não precisa enxarcar. E, se o seu mini-jardim não vingar da primeira vez, não desista. Preste atenção ao que acontece e tente de novo. E depois venha aqui contar como foi!

December 18th, 2007 at 1:15 pm
A sua descrição de casa de infância parece a visão que eu tinha das casas de interior. As dicas são ótimas para quem mora em apartamento: sem gatos. Meu gatos destruiram todas as mudas que eu trouxe para casa de manjericão, pimenta, e hortelã. A menta e o alecrim moreram sozinhos. A única erva que gosta do meu apartamento, ou do local onde está, é um orégano que deve ter no mínimo uns 10 anos e continua lindo e imenso (e longe dos gatos). Mas eu não corto as folhinhas dele para usar em molho algum. Aliás, ninguém mais pois a mão nele.
As mudinhas aqui em São Paulo também são super em conta e podem ser achadas até em supermercado.
Quanto ao sol, foi muito bom você ter avisado, pois é provavelmente a causa das minhas coitadinhas terem morrido, pois só bate sol durante uma parte do dia onde elas estavam.
Bibi, eu cresci em casa de interior!
Agora, quanto aos gatos, sabe que o único motivo para eu nao ter gatos é a bagunça que eles fazem? Eu acho maldade “cortar o barato” dos coitados, mas não ia aguentar minha casa virando território dos fofos. Por isso deixo meus gatos na casa da minha mãe: lá eles tem muito o que caçar, muito o que arranhar, não precisam detonar minhas mudinhas
Só que bate uma saudade…
December 19th, 2007 at 8:48 am
Teu manjericão está lindo!
Patrícia, ele tá lindo e cheiroso! Dá vontade de comer só manjericão! Obrigada pela visita!
December 20th, 2007 at 9:36 am
Olha, me emocionou, ” A combinação do vento de Cascavel com o vento da minha cabeça, que me fazia esquecer de regar as plantas todos os dias, foi letal”. Mas quando precisar de um consultor sobre Hortaliças pode me procurar.
Medico de Plantas II
Si, si, quando precisar de um consultor sobre tomates, melancias e eucaliptos procurarei você. Mas acho que eucaliptos não cabem aqui,
January 17th, 2008 at 3:16 pm
[...] flores e ervas aromáticas em vasos. Óbvio, não? Aqueles vasinhos de ervas ou de flores dão um cheirinho bom e alegram a sua casa. E nem dá tanto trabalho assim para [...]
September 16th, 2008 at 11:42 am
Comentários ao “O meu mini-jardim”
Foi quase que por um acaso que encontrei seu texto, e confesso que ele também me reportou a uma infância feliz e praticamente esquecida.
Atualmente moro na mesma casa da minha infância, e lendo seu texto minha memória retornou a pelo menos uns 30 anos atrás, quando meu pai plantava em nosso quintal cenoura, beterraba, alface, couve, tomate, mandioca, milho, cebolinha, coentro e muitas outras espécies plantadas ou nascidas “sem ser semeadas” (eu adorava puxar os ramos e ver a cenoura e a beterraba sair de dentro do chão, além de brincar de boneca com as espigas de milho).
Arvores como abacateiro, mangueiras, pitangueira, mexeriqueira e outras, também faziam parte deste paraiso existente em mais ou menos 840m².
Bicho não tinhamos. Nem cachorro, nem gato e nem galinha. Nada de bichos.
Hoje, entrei na internet para buscar indicações de como fazer um mini-jardim no que restou de terreno do paraíso da minha infância. Mais ou menos 3m². E o pior foi encarar que não sei nada de plantas, terras e humus, absolutamente inaceitável pra quem cresceu no meio deles.
Meu pai também é medico de plantas, com o melhor dos estudos: amor e prática.
Grande abraço e obrigada por me proporcionar momentos de lembraças felizes.
October 23rd, 2008 at 11:27 pm
Olá,
Eu também fiz meu mini-jardim……minha mãe também tem umas jardineiras na casa dela.
Moro no sitio, mais nossas hortas, não passam muito tempo longe dos meus patos, galinhas e carneiros…sempre entram e fazem um estrago.
Então fechamos o quintal em volta de casa e agora tenho minhas ervinhas.
Estou com problemas com o manjeiricão, sempre morre e acabo comprando outra muda, é baratinho a muda mais me sinto frustrada por não estar acertando com elas. Se tiver alguma dica me passe.
Grande abraço!
bjus…paula.
Oi Paula =)
Se serve de consolo, eu matei quatro mudas de manjericão até conseguir um pé bonito que durasse mais de três semanas. Esse manjericão aí da foto foi o primeiro. Depois dele, tentei outras duas mudas, uma no mesmo lugar, outra em outro lugar. Finalmente agora consegui, depois de mudar o lugar e o jeito de plantar.
Deixei o manjericão no sol pleno. O seu está? No começo ele demorou um pouco para adaptar, parecia murcho o tempo todo e eu achei que ele não ia vingar. Outra coisa que eu não sei se tem a ver, mas não custa tentar, é colocar um vaso de plástico em cima da floreira e plantar o manjericão no vaso. As raízes tendem a crescer e ir para o solo da floreira, mas o vaso de plástico ajuda a segurar a humidade (eu moro no oitavo andar e venta muito, se eu bobear o coitado morre de sede).
Espero que essas dicas te ajudem. Aí conta pra gente como ficou!